Santa Inquisição

Santa Inquisição

Ficção de Interlúdio

Acordo ao som dos lalaias de Chico Buarque e logo percebo que, não só mais um dia estava prestes a começar, mas sim um dos melhores dias. Após preces e acertos, finalmente me vejo na grande maquina, indo em direção ao ponto de encontro, já previsto á dias.  Junto a meus fiéis camaradas, caminhamos até o ponto demarcado, mas o capital nos subestimou, e logo mudamos a trajetória de nosso encontro. Passando pela Rua Castro Alves, o qual possuía o livro no momento, me pego a fazer brincadeiras e piadas engraçadas. No grande centro comercial chegamos, e (muito) cansado estávamos, uma agua, por favor?  Somos comunicados (novamente) e vamos à busca da dama, e pouco mais andamos. Com a dama em mãos, vamos ao centro comercial, e pressentindo o tédio, rumamos até o árcade ambiente da fonte dos “sapos”. Ali me deparo com alguns conhecidos dela, e logo eu e meus “droogs” caminhamos rumo a direções sem rumo e volta (em direção ao Nébias). Por “comunicagens” discutimos e logo dou a pequena mentira de “vou buscar algo para beber” aos camaradas e corro para busca-la. Deserto, deserto, deserto, corriqueiros e corriqueiros, pelo suor indomável acho-a. Sentamos ( não à beira do rio) e fitamos as pessoas passarem. Entre (muitas) conversas paralelas, encaro o céu azul daquele meio de tarde, e logo estávamos a ouvir o grande desejar que você estivesse aqui. Ela já estava, e finalmente, em tal grande bom momento, nossos lábios suavemente se tocam ao som das leves guitarras, que na noite na noite passada me fizera dormir. Nos abraçamos e logo percebo que há coisas melhores do que fitar as pessoas passando, e não desenlaçamos nossas mãos porque, não haveria motivo para tal ato. Logo meus “drugs” estavam ali e, de mãos enlaçadas as da dama, caminhemos até sua casa. Ao final do percurso, perto ao ponto de maquinas, a dama me puxa e envolve seus lábios aos meus, fazendo-me pensar se deveria voltar a minha cidade ou não? O ônibus parado ao sinal, despedidas, e logo minha despedida faz-se com o bom e velho abraço seguido ao beijo. Até, e até, bela dama…

Tenho dó das estrelas

"Tenho dó das estrelas
Luzindo há tanto tempo,
Há tanto tempo…
Tenho dó delas.

Não haverá um cansaço
Das coisas,
De todas as coisas
Como das pernas ou de um braço?

Um cansaço de existir,
De ser,
Só de ser,
O ser triste brilhar ou sorrir…

Não haverá, enfim,
Para as coisas que são,
Não morte, mas sim
Uma outra espécie de fim,
Ou uma grande razão –
Qualquer coisa assim
Como um perdão?”

-Fernando Pessoa

Sarau Solitário~

A noite cai na vila, todos pensam em festejar.
Muitos afazeres, muitos.
Num canto parnasiano, a dama vem dançar.
Muitos afazeres, já os fiz.

Instrumentos a prontidão, todos se preparam.
O músico deixa o instrumento excepcional, excepcional.
Todos cantam dançam e varam.
E no fim próximo, o canto cessa.

As pessoas saem, animais também, ninguém desejaria estar mais ali.
A solidão, de terno e gravata, um chapéu panamá talvez, cumprimenta o violeiro.
"O que cantas a essa hora? Não vê que todos se foram? E todos dormem…"
O violeiro, que por baixo do humilde chapéu de palha tentava esconder algumas poucas lagrimas, retruca:
"Canto a canção da solidão amigo, este é meu sarau e a partir de agora será minha casa, meu lar…" ~

Manifesto Moderno

Sabe o sentimento? Sentimento que hoje em dia não existe mais! Ok, cresci em uma família muito que influenciada por boa cultura, mas receio que isso é certo. O “bom ver da sociedade” está apenas para quem gostaria de vê-lo, não para pessoas que negam tal querer. Como parnasianos, as pessoas “pensam” evoluir, pensam crescer, e logo, pensam ERRADO. Não estaremos evoluindo apenas com novos celulares, novas tendências da moda, e afins. O mundo não estará perdido enquanto houver aquela pessoa em que, viajará o mundo apenas em busca de uma obra, de um museu. Salvadores sejam estes! Você querendo ou não, será influenciado, mas antes disso, tenha um olhar crítico por sobre as coisas que lhe submetem. Pense, repense, debata, mas não, queremos sempre o mais rápido e prático. Quem ouvirá isso de uma falha em sociedade como eu? Tudo está motorizado, muito “guerretizado”, e nem sequer existem rodas e engrenagens! As pessoas preferem o belo belo ao homem que dirá: Vem sentar-te comigo Lídia, a beira do rio… Casais se criam, casais se vão, são todos sapos, sapos e sapos. Vejo isso com um olhar terceiro, até porque, observar é um do divino. Poemas, por que existem? Dane-se os poemas, querem palavras diretas, querem a face, não se declaram mais poemas, dane-se o poeta. Dane-se o poeta, escritor, observador, querem ler o mais rápido que se chega em mãos. Hora de dormir, a ditadura ainda não acabou, e mais uma nova notícia se vai…

Sanatório de Sakura - A realidade de K-on

~Texto original de lonelyramacciotti ~

Nunca me adaptei a vida sedentária. Desde criança sempre estive ativa, tinha as melhores notas da série, fiz todo tipo de esportes e tinha um clube de musica leve no ginásio. E hoje? Estou desempregada. A um tempo atrás, em busca de um novo emprego, encontrei uma vaga como enfermeira geral no sanatório de Sakura. O sanatório ficava a 15km do subúrbio da cidade, e tinha a estrutura de um antigo colégio. Como no contrato constava que haveria pensão completa, não pensei duas vezes em confirmar. Ao chegar, me dirigi ao meu quarto, desfiz minhas malas e me troquei para o primeiro turno. O médico geral me informou que eu não trabalharia hoje, mas iria fazer o reconhecimento dos pacientes e o andar o qual eu iria cuidar. Na porta das salas haviam placas com letras seguidos de números. As salas vinham seguindo: K-05, K-06, K-07, K-08 e K-09. Até então nas salas haviam 2 ou 3 pacientes( apenas 1 sala que havia uma garota). Muito calmos, muitos eram esquizofrênicos, outros com câncer ou tuberculose. A única vez que ouvi um grito foi de um paciente do K-07, devido ao remédio que seria aplicado no momento. As pacientes mais interessantes foram da sala K-09. Logo quando entrei na sala fui recebida por uma garota de cabelos curtos cantando no centro da sala. Ela cantava “quando eu te vejo meu coração faz tum tum, tum tum”. “Ela se chama Yui Hirasawa… É esquizofrênica” disse o médico, acariciando o cabelo da paciente. “Ch-ch-ch-ch-chá!” dizia uma garota loira ao lado de Yui, tentava murmurar uma ou outra palavra, mas sempre empacava. “Pobre Tsumugi” disse o médico ajeitando a paciente “Foi abandonada quando criança…” continuou com uma expressão de lamento. Ela babava excessivamente, e mesmo com o doutor arrumando-a, se jogou novamente no chão. Uma figura de cabelos longos e negros no canto da sala chamou-me a atenção. “Não… Não… Ai não… Pare…” gemia bem baixinho. “Ela é Mio Akiyama, esta conosco desde o ano passado, ela sofreu um trauma irreversível…” acrescentou ele, olhando seu relógio. No outro canto da sala pude ver alguém preso com cintos dos pés aos peitos, e na face uma mordaça na boca. A medida que chegávamos perto, esse alguém se debatia mais e mais. Acho que não podia me ver, pois usava algo que tapavam seus olhos. “Minha querida Tainaka, está com fome hoje?” disse o doutor, acariciando seus cabelos, com um gesto de ironia estampado no rosto. Agarota rugia, enraivecida, mas sem poder fazer nada. Meu expediente naquele dia havia acabdo, mas a experiência estava apenas começando…